quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Presentes invisíveis

Li esse artigo de Ivan Martins e resolvi transcrevê-lo aqui, pois concordo plenamente com ele.
Estamos a quatro dias do Natal, época de embrulhar presentes. Sentar no chão, cercado de caixas e sacolas impessoais das lojas, e transformá-las, sem pressa, em pacotes caprichados e coloridos, cada um deles com a cara de quem vai receber. Eu gosto. Não sei fazer compras, mas embrulhar presentes, (assim como engraxar sapatos, aliás) é algo que eu faço feliz, sem entender direito por quê.
Antes de prosseguir, quero fazer um comentário adicional sobre as compras de Natal. As pessoas reclamam, incansavelmente, sobre o quanto é chata, difícil e despropositada essa maratona natalina. Eu tendo a concordar com elas, mas faço uma ressalva importante: parece que as pessoas que menos gostam de escolher presentes são as que têm mais dificuldade em parar de pensar nelas mesmas. Na hora de fazer compras, somos obrigados a pensar no que o outro gostaria de ganhar, naquilo que ele ou ela deseja, e essa parece ser a parte realmente complicada do processo, para muitos de nós. Somos tão auto-centrados, tão intensamente preocupados conosco, que o exercício de se colocar no lugar dos outros, ainda que por alguma horas, provoca exasperação. Quando vai terminar essa palhaçada de Natal para que eu possa voltar, de novo, a me preocupar somente comigo mesmo?
Feito esse desvio, volto ao essencial, que é simples: o melhor presente de Natal é o sentimento que vem com ele. Tenho de fazer um esforço danado para me lembrar do que eu ganhei no ano passado, mas o carinho e o amor das pessoas que estiveram comigo há 10 e 20 anos continuam inesquecíveis. Assim como as mágoas e as dores que elas deixaram. Objetos desaparecem da memória e da nossa vida, mas as felicidades e os agravos a gente carrega para sempre. Hoje em dia, se eu pudesse, daria a cada uma das pessoas que eu amo uma caixinha repleta apenas com um único sentimento invisível, aquele que eu julgasse mais necessário ao momento da vida delas. Acho que seria mais útil que vestidos, camisas ou sapatos. Melhor até que livros. 
 Eu já desconfiava, mas ficou evidente no filme As canções, do Eduardo Coutinho, que as pessoas, sobretudo as mulheres, precisam desesperadamente aprender a deixar as coisas que não deram certo para trás. O dom do esquecimento seria um presente de Natal extraordinário para pessoas que depois de 10, 20,30 ou 40 anos continuam apaixonadas por alguém que nunca as amou. Quem puder, vá assistir ao documentário do Coutinho. Ele entrevista pessoas comuns e pede que elas cantem a canção da vida delas - e explique o que há por trás da música. Em geral são histórias de amor mal resolvidas, que dominam e resumem existência inteiras. Como diz uma amiga que viu o filme, é impossível não chorar diante de uma coisa tão triste. A capacidade de esquecer e recomeçar, portanto, seria um ótimo presente de Natal para milhões de pessoas.
Outra coisa imaterial que anda em falta é a capacidade de escolher afetivamente. Olhe em volta: há muita gente ciscando incessantemente, e não é coisa de adolescentes e jovens. Pessoas de todas as idades não sabem direito o que fazer com elas mesmas. Não conseguem escolher entre o casamento e a bicicleta. Trincam de ansiedade. As possibilidades são tantas, as pessoas tão tantas, as vontades são tantas... que paralisa. Acho que dentro de alguns anos vamos começar a perceber as consequências dessa epidemia de indecisão, na forma de gente inteiramente solta, (pipas ao vento, como eu ouvi uma vez), cuja vida passou ao largo dos compromissos afetivos. Lá na frente elas não terão onde aportar - e nem saberão como, na verdade. Se, com um presentinho de Natal, essas pessoas pudessem aprender a escolher, tenho certeza de que ficariam mais felizes.
O terceiro e último presente que eu gostaria de distribuir em caixinhas com fitas vermelhas é o altruísmo, a capacidade de pensar nos outros. Isso anda muito em falta, na vida dos casais, inclusive. Viramos um bando de egoístas e crianças mimadas. Cada um para si e dane-se o resto. Eu, eu, eu, eu... As pessoas não querem saber de sacrifícios, pessoais ou coletivos. Não podem ouvir falar de deixar seus desejos de lado, ainda que temporariamente. Todos nós temos direito ao gozo já, orgasmo já, realização plena, total e irrestrita, desde logo. Afinal, ralei para isso, não foi? A ideia de apropriação pessoal e instantânea faz parte da nossa cultura, mas está ficando insuportável. A sociedade e o planeta não aguentam sete bilhões de reizinhos batendo o pé e exigindo ser felizes a cada instante. Dentro das famílias acontece o tempo todo, no interior dos casais. Não dá, né? Sem um pouco de doação essa barca afunda – a da vida privada e a da vida pública. Nada de meias, perfumes e gravatas no Natal. Altruísmo para todos, já!  
  (Ivan Martins escreve às quartas-feiras)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Bolo Nega Maluca


Devo começar esse post dizendo que esse bolo não é muito doce e para quem curte um chocolate com 70% de cacau com eu, é o paraíso! Eu fiz essa receita usando cacau em pó que é bem forte e não tem açúcar, por isso se você curte um bolo mais doce, pode usar achocolatado ou meio a meio para equilibrar.

Ingredientes:
2 xícaras (chá) de açúcar
1 e 1/2 xícara (chá) de cacau ou chocolate em pó
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
3 ovos
2/3 xícara (chá) de óleo
1 xícara (chá) de água fervendo
1 colher (sopa) de fermento em pó

Bata ligeiramente os ovos (na mão mesmo), junte o óleo. Acrescente os ingredientes secos, menos o fermento e misture. Junte a água fervendo e novamente mexa bem. Por fim acrescente o fermento em pó.
Leve para assar em forma untada e enfarinhada em forno pré-aquecido em 180º. O meu levou cerca de 40 minutos, mas faça o teste do palitinho porque seu forno pode ser diferente.
Enquanto o bolo assa, prepare a cobertura levando ao fogo: 2 colheres (sopa) de manteiga sem sal, 8 colheres (sopa) de leite, 1 colhere cheia (sopa) de chocolate em pó ou cacau, 6 colheres (sopa) de açúcar. Assim que ferver e misture bem e desligue o fogo. Essa cobertura não é muito doce, então se você preferir acrescente mais açúcar para ficar do seu gosto. 
Retire o bolo do forno, fure com um garfo e derrame a cobertura quente. Por cima eu coloquei granulado, mas é opcional tá? Esse bolo é um calmante e tanto para TPM, vai por mim!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Batalhas

A vida é assim. Um círculo. Novos desafios virão e quando você vencer um, aparecerão outros mais complexos e que demandarão mais garra. Nesse momento, passo por um período de transformação e coragem. Lições diárias e intensas de como me tornar uma pessoa madura e capaz de assumir os desafios da vida. Estou no fronte de duas grandes batalhas difíceis de serem vencidas. Espero ardorosamente um dia dizer que não foi nada tão drástico assim e que cresci como nunca. Já sei que o primeiro passo é acreditar em mim.

Decisões

É provável que se houvesse possibilidade de voltar no tempo e rever as decisões que fazem parte da minha vida, eu não teria estudado Letras. Nem sei se as coisas se sairiam melhor, mas escolheria outro curso. Sei lá.
Tive de escolher entre dois caminhos: o magistério ou a carreira pública. Magistério não rola. Restou a segunda opção: a carreira pública. Mas tal escolha importa em renúncias na vida pessoal nos mais diversos sentidos. Depende de muito esforço e continuidade.
Começo a aprender que o caminho é longo, árduo, mas possível. Usar as insatisfações pessoais como ferramenta de propulsão é uma boa ideia. O problema é que quero que as coisas aconteçam rápido. Não dá certo.
Após cursos preparatórios, cheguei à conclusão de que: Agora o negócio é comigo. Tenho material e orientação para lapidar o que aprendi durante este período de preparação. 
Por enquanto essa é a minha saída. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Meu lado concurseira

Sou concurseira. Estou fazendo curso de Direito Administrativo e logo estarei cursando Direito Civil. Esse ano já fiz o curso de Direito Constitucional. Como não sou formada em Direito, meu foco tem sido as disciplinas dessa área. Em verdade, faz muito tempo que tenho o concurso público como objetivo profissional. Porém agora decidi me dedicar com mais afinco, levar os estudos mais a sério.
Ser concurseiro é tarefa árdua e cheia de altos e baixos e muitas abdicações e fases deprês de auto-questionamentos que são bem complexos. Na minha atual fase, me sinto no caminho, mas ainda não capaz de chegar lá, pois ainda há uma infinidade de passos a dar até me encorajar a dizer que estou chegando lá.

"O sucesso depende da preparação prévia, e sem tal preparação o fracasso será uma certeza."
(Confúcio)


- Finalidade: documentar e estimular a evolução do estudo;
- Objetivo: Tribunal
- As noites e finais de semana são dedicados ao estudo.
- Meu método: acúmulo e repetição.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ansiedade

Sabe quando estamos a um passo de conquistar algo que queremos muito, pois é dá um medinho...
Por que será?

sábado, 12 de novembro de 2011

Dieta, não!!

Há algum tempo, escrevi aqui algumas metas que pretendo alcançar. Uma delas diz respeito ao meu emagrecimento. E este espaço é pra registrar as mudanças que pretendo fazer na minha alimentação - nada de dieta - quero (leia preciso) aprender a me alimentar melhor, de forma correta. Por isso, quero iniciar um processo de reeducação alimentar.
A ideia é me alimentar melhor e da maneira correta e praticar exercícios regurlarmente. Ah, e pretendo registrar aqui os meus avanços.

Bora lá!!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Espelho meu!

Quem é a pessoa que eu - e você - vemos no espelho todos os dias? Não precisamos do reflexo da nossa imagem no espelho para nos percebermos, mas e quando nos comparamos aos outros?
Conta-se a história de um homem que orava constantemente a Deus. E esse homem fazia uma oração bem esquisita. Na verdade, ele não falava com Deus, mas consigo mesmo, com seu ego - que parecia ser do tamanho do universo. Ele se considerava superior aos outros e "agradecia a Deus" por isso.  Esse homem - que costumamos abominar - revela um pouco do que temos guardado dentro de nós: o orgulho.
Será que procuramos prestar atenção na maneira como percebemos as pessoas e como nos percebemos diante delas? E sinceramente, não nos sentimos melhor que os outros, às vezes? Somos orgulhosos. Isso é fato! E o pior é quando nos sentimos no direito de julgar, condenar e, muitas vezes, desprezar a quem parece ser diferente de nós.
Por isso, precisamos trocar o orgulho, não apenas pela humildade, mas também pela sinceridade. Pois, a verdadeira humildade só surgirá quando comerçarmos a nos envergonhar de nosso orgulho.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Metas

Todo final de ano, paramos um pouco pra refletir sobre o ano que passou e o queremos do ano que se aproxima. Resolvi antecipar um pouquinho essa reflexão  e colocar algumas metas pra cumprir durante os próximos meses. Algumas fáceis de realizar, outras exigem meu esforço e dedicação e outras que não dependem apenas de mim.
Bom, mas tudo tem um começo então listei 20 “coisas” que quero conquistar:

- ser servidora pública no cargo Analista Administrativo
- pesar 54 kg;
- comprar duas calças jeans tamanho 38;
- me olhar no espelho e dizer: nossa você está magra mesmo!!;
- ter a minha casa;
- casar;
- realizar depósitos regulares na poupança;
- guardar todas as moedas e notas de 2 reais no cofrinho e quando encher me dar um presente;
- fazer clareamento nos dentes;
- aprender a dirigir e tirar a carteira de habilitação;
- depilação definitiva;
- comprar um notebook;
- me dar um dia de “Patrícia” com direito a DVD e edredon;
- me dar outro dia de “Patrícia” com direito a cinema sozinha;
- rever meus parentes/amigos de Angra e do Rio;
- mergulhar no mar azul e agradecer a Deus por estar ali;
- ter crises de riso;
- reler a obra de Machado de Assis;
- ver o nascer e o pôr do sol do alto de uma montanha;
- assistir a 9ª temporada de CSI Las Vegas
- usar filtro solar obrigatoriamente todos os dias.

Início: 23/09/11
Término: sem previsão 
Status: em execução

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Vai passar

Pelo menos eu já aprendi uma lição da vida: Tudo passa. No meu caso ainda não passou, mas vai passar. Inevitavelmente e necessariamente.  Algumas coisas dependem exclusivamente de nós, somente nossa atitude poderá mudar a situação.  Sou uma pessoa esforçada, que batalha pelos sonhos, mas sou mole e medrosa. Isso me atrapalha em tudo e é ridículo. Queria ser fortona como um leão e dar risada dos meus medos e juro que estou tentando encarar as coisas com uma visão mais otimista e feliz, mas às vezes paira aquela nuvem negra nos meus pensamentos. Bom, por enquanto as coisas estão como eu ... quietinha. Porém, logo tudo se ajeita , pois TUDO PASSA.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tu tens um medo!

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
(Cecília Meireles)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O meu amor!

“O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.”
(Cecília Meireles)


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O tempo!

“Porque há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar [...]”  (Eclesiastes 3.4.)

Já virou até bordão de consolo, quando alguém se encontra triste, abatido, dizermos: "O tempo é o melhor remédio.
Mas a verdade é que tempo não é remédio, não cura, ele é no máximo um analgésico que mascara a doença tirando a dor. O tempo faz você parar de pensar nas decepções, mais não cura as feridas da alma. Ele não te faz superar o abandono da pessoa amada, apenas se encarrega de te levar para longe...
Sem contar que o tempo é um péssimo esteticista e vai deixando suas marcas em nós, na pele, nos cabelos, nas articulações e o pior de todos: na alma.
O tempo é relativo e às vezes cruel. Compare: duas semanas de férias passam sem que nem percebamos... Agora uma semana de dieta...
A palavra de consolo para os que sofrem a perda ou a espera de algo, não é tempo e sim confiança. Não é o passar dos dias que vai curar a sua dor, é a sua confiança e dependência do Senhor.
Ponha sua fé em exercício, confie em todos os momentos:
Quando os dias se arrastam (confie).
A dieta demora a dar resultados (persevere).
Os amigos decepcionam (Jesus está ao seu lado).
Pessoas indesejadas estão sempre por perto ( Jesus nos ensina amar os nossos inimigos, então ame).
Quando o coração não para de doer ( Conheço um especialista em problemas cardíacos, Dr. Jesus, mais Ele prefere ser chamado de Papai).
A tristeza insiste em ser sua companheira ( A alegria do Senhor é a nossa força).
Começando a sentir-se velho (os que confiam no Senhor, renovam suas forças).
As orações não são respondidas ( Aguarde).
O dinheiro some ( Deus é provedor).
O romance não floresce ( Deus te dá todo amor que você precisar).
Sonhos se tornam distantes ( Aquele que começou a boa obra é fiel para terminá-la).
Nesses e em todos os momentos difíceis confie no Senhor e jamais espere que o tempo resolva.

Texto retirado do site da Lagoinha.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Indignada!!

Estou indignada, o filme A árvore da vida não está em cartaz nos cinemas em minha cidade. O jeito é esperar chegar nas locadoras.
Se você ainda não conhece o filme, segue uma crítica de Luciano Trigo:

Malick aproxima o cinema da experiência religiosa
Alguém me falou outro dia que há cineastas que fazem filmes, e há cineastas que fazem obras. Concordo, e Terrence Malick está seguramente na segunda categoria: A Árvore da vida, vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, não impressiona apenas por explorar novos e arriscados caminhos para a linguagem cinematográfica, relacionando de forma enigmática um drama familiar no Texas dos anos 50 com a própria história do universo e da aventura humana no planeta Terra – com longas sequências de imagens de dinossauros, microorganismos aquáticos, erupções vulvânicas e explosões solares que podem desconcertar o espectador mediano, apesar da beleza plástica. Mergulhando radicalmente numa narrativa contemplativa e não-linear, sensorial e poética, ele aproxima o cinema da experiência religiosa, capturando e traduzindo em imagens e sons o significado do amor, da revelação e da fé.
Nesse sentido, A Árvore da Vida pode ser entendido como um contraponto positivo ao pessimismo essencial de Melancolia, de Lars Von Trier. De maneira ambiciosa, os dois diretores adotam uma perspectiva “macro” para tratar de temas como a impermanência e a fragilidade essencial da existência, a partir de personagens comuns e histórias “micro”, mas chegam a conclusões diferentes, ou mesmo opostas, que refletem talvez duas visões de mundo antagônicas. Trier é um cineasta da matéria, enquanto Malick busca o espírito. Trier aponta para a fraqueza dos seres humanos com um olhar cruel e quase científico, enquanto Malick faz do cinema uma ferramenta para tentar dialogar comMalick filma a infância e a perda da inocência, o aprendizado da culpa e do ciúme, o processo de formação da identidade das crianças e as relações de afeto e poder no núcleo familiar, com uma delicadeza que encontra poucos paralelos na história do cinema. Conta, para isso, com interpretações impecáveis de todo o elenco, começando por Brad Pitt (também produtor do filme) no papel de Jack O’Brien, pai autoritário e ao mesmo tempo amoroso, que entende a educação como sinônimo de fortalecimento e disciplina e assim se empenha em preparar seus três filhos para a vida. Sean Penn é a versão adulta do menino mais velho, por um lado a materialização dos desejos do pai, mas carregando dentro de si os fantasmas de sua formação e o trauma da perda de um irmão. É pelo seu olhar que Malick conduz a narrativa (o que se revela na sutileza da câmera baixa, mostrando a perspectiva do olhar da criança, na maior parte do tempo). Mas é a personagem da mãe, magnificamente interpretada por Jessica Chastain, quem oferece as chaves para o entendimento e a fruição do filme. Já numa de suas primeiras falas em off, ela apresenta sua visão singela da vida e seus dois caminhos, o da Natureza e o da Graça.
Tudo em A Árvore da Vida, cada evocação visual, cada elemento da narrativa, remeterá a essa dualidade, mas não de uma maneira categórica ou doutrinária: é compartilhando os momentos de alegria e frustração, de realização e de perda de cada personagem que Malick insinua uma crítica ao modo como vivemos hoje e uma reflexão sobre a humana, demasiado humana necessidade de uma relação mais espiritual com o mundo. Da citação do Livro de Jó no início de A Árvore da Vida à afirmação da possibilidade de redenção na sequência final, Malick conduz o espectador a uma travessia difícil e incomum, mas altamente recompensadora para quem souber olhar.